quinta-feira, 4 de outubro de 2018

4. O Gigante Amarelo


Pelas postagens anteriores você já deve ter percebido que não sou um cara pequeno. Não que eu seja um gigante de fato, mas tenho 1,85m e devo estar pesando na faixa dos 110kg. Quando imagino um ciclista, logo me vem a imagem daquele cara esguio. Não é o meu caso. Considerando o perfil de um ciclista esportivo ou mesmo de um ciclista viajante, eu sou diferente... talvez um pouco exótico para o padrão usual.

Sempre que posso, treino de duas a três vezes por semana. São treinos simples para manter minha resistência em longas distâncias. Antes da construção do túnel Charitas-Cafubá, eu treinava no asfalto, num circuito entre as praias de Charitas e São Francisco (Niterói). Um local tradicional de treinos na cidade. Mas com a abertura do túnel a pista ficou inviável. Parte da ciclovia foi desativada e houve um grande aumento do fluxo de carros. Só fica mais calmo aos domingos. Uma pena. O fim de uma tradição.

Comecei a pedalar em Charitas ainda nos anos 80, talvez eu tenha sido um dos primeiros a usar o local para pedalar sistematicamente. Não lembro de ver muita gente treinando... Em Charitas, meu treino básico era de 21km, totalizando 60km semanais. É pouco para o padrão de um atleta profissional, mas o suficiente para eu ser capaz de fazer 100km/dia em qualquer clima, mesmo contra o vento. Com o túnel tive que me adaptar. No início, fiquei chateado, porque Charitas fazia parte da minha rotina e tinha a vantagem de ser perto de casa. Era fácil dar uma fugida para treinar.

Porém, encontrei uma alternativa, que foi atravessar o túnel e treinar nas praias oceânicas. Camboinhas, Piratininga e Itacoatiara viraram meus locais de treino. Meu treino básico continuou sendo 21km, sendo que uma vez por semana faço um treino longo de 40km. Normalmente, só considero a quilometragem de ida. Mas, ultimamente, comecei a considerar também a volta. Gosto de finalizar os 21km na Praia de Camboinhas, que fica uns 13km de casa. Dessa forma, em dias de treino curto, eu faço cerca de 36km, e 56km nos de treino longo, quando vou até Itacoatiara. Apesar de precisar planejar melhor meus horários, acabei achando uma boa troca. Ficou mais forte e divertido.

Os treinos em si são prazerosos, mas são treinos. Gosto mesmo é de viajar. Pedalar grandes distâncias. Ir às praias oceânicas é o mínimo, as considero meu “quintal”. Felicidade é quando pego a estrada.

Infelizmente, ainda não viajei o tanto que eu gostaria. Fiz Niterói-Arraial, algumas vezes; uma viagem em Minas Gerais; e outra de Bananal até Paraty. O velho desequilíbrio entre tempo e dinheiro é o limitador. Quando se tem um, não se tem o outro.. Amo de paixão minha Bike, mas não vivo dela. Como professor não ganho muito. E como fotógrafo, escolhi caminhos nos quais o retorno financeiro não é uma garantia, invisto nos meus trabalhos autorais e em educação. Quem sabe um dia eu consiga unir bike, fotografia e escrita em algo rentável... penso muito nisso, talvez quando me aposentar de Petrópolis... Não falta muito. Por enquanto, me contento com os pequenos prazeres.

Já estava esquecendo... o “Amarelo” é por conta do meu “uniforme” de corrida. No asfalto é sempre bom estar o mais visível possível. Por isso acabei criando o hábito da camisa amarela para me “proteger” dos carros e dos pedestres. Então, se você estiver em Niterói e avistar um ciclista enorme, numa bike híbrida, vestindo uma camisa amarela, tem uma boa chance de estar me vendo.
Herbert

17/set/18


Autorretrato depois do treino, Praia de Camboinhas, Niterói


Minha querida bike em Camboinhas

Treino padrão em Niterói
Passeio em Visconde de Mauá, Itatiaia, 2017


Bike comprada em São Luís (MA) para vagar pelo centro, 2010


São Luís, MA, 2010



Viagem para Arraial do Cabo, Praia de Itaiapuaçu, Maricá, 2010  
Trancoso, BA, 2007

Trancoso, BA, 2007



Antonia, passeio para Chateau Chenonceau, Amboise, France, 2016


Paraty, RJ, 2006




Nenhum comentário:

Postar um comentário