Sempre fui arisco com médicos e antes
de operar procurei vários especialistas. Até encontrar Dr. Rodrigo Mota, que
logo ganhou minha confiança. Pois os demais médicos consultados, apresentavam o
caminho cirúrgico como solução, mas sugeriam diferentes tipos de intervenção. Dr.
Rodrigo conquistou minha confiança com sua simplicidade e segurança ao explicar
de forma clara a melhor opção cirúrgica, levando em conta meu tamanho e peso.
Também fiz várias pesquisas na
internet sobre esse procedimento para entender melhor, mas não encontrei quase
nada, nenhum relato de quem tenha realizado essa cirurgia. Só consegui contato
com uma pessoa, que passou por um procedimento semelhante, uma amiga de uma
amiga. Não é algo muito comum. Foi por isso que resolvi fazer estas postagens
para falar sobre o assunto, expor minha experiência e me colocar à disposição para
conversar sobre os procedimentos cirúrgicos pelos quais passei. Estou
disponibilizando meu e-mail para quem quiser mais informações (herbertmacario@yahoo.com.br). Mas
quero deixar claro que não sou da área médica e a única coisa que posso fazer é
relatar minha experiência pessoal sobre o assunto.
A Tríplice Artrodese de pé é
quando quatro ossos são “fundidos” para fazer a correção da estrutura do pé
plano. A artrodese, por meio de parafusos, é realizada em três articulações que
envolvem quatro ossos: calcâneo, navicular, cuboide e talos. As articulações
entre esses ossos desaparecem. O que na prática, até o momento, não fez falta
para mim.
Além da remontagem da “parte
baixa do pé”, pela tríplice artrodese, foi colocado um cabo de titânio para ajudar
no alongamento do tendão de Aquiles e, de “bônus”, foi realizada uma cirurgia
de joanete. A anestesia não é geral, é a raquidiana e uma sedação forte. Só
lembro da chegada na sala de cirurgia e uma breve conversa com o anestesista.
Acordei, ainda na sala de cirurgia, já na finalização do gesso no pé. Sem dor. Nada
traumático. Só sofri uma dor mais intensa 16 horas depois da cirurgia, quando a
anestesia da perna passou. Mas fui rapidamente medicado, foi tranquilo.
Para mim, o mais difícil é a
recuperação do caminhar. É necessária muita paciência.
Nas seis primeiras semanas não se
pode pisar com o pé operado. A pisada só é liberada quando a fusão dos ossos
está consolidada.
Sem poder pisar tudo fica bem
complicado. Para deslocamentos curtos dentro de casa, uso muletas. Distâncias
maiores, só de cadeira de rodas. O maior medo é cair no chão e estragar a cirurgia.
Antes de operar treinei com as muletas. Era fácil e rápido. Mas não é tão
simples quando você sabe que é para valer. Brinco com minha esposa, que cada
ida ao banheiro é uma subida ao Everest. Vai ficando mais fácil com a prática,
mas no começo...
Depois de seis semanas é feito um
Raio-X para avaliar a consolidação e o médico começa a liberar a carga aos
poucos. Primeiro com 30% do meu peso e mais 20% a cada duas semanas. Então você
me pergunta: como calcular isso? Simples: com uma balança de banheiro. Você vai
pisando até chegar aos 30% do seu peso. Se você pesa 100kg, precisa pisar na
balança com o pé operado até atingir 30kg. O médico sugeriu que toda manhã eu fizesse
isso para memorizar a carga.
No começo é difícil. Além de
dolorido, o pé fica bem torto. É preciso reaprender a andar. O dedão tem muita
dificuldade de tocar no chão. O pé plano tem uma pisada diferente. O processo é
lento e a fisioterapia é essencial para a recuperação. A fisioterapia começa
quando a carga é liberada e a haste de correção do joanete é retirada. Outra
característica é o inchaço. O pé incha muito facilmente, o que me causava dor
nos primeiros 15 dias, quando ainda estava com a bota de gesso. Mesmo depois da
retirada do gesso era estranho quando numa breve ida ao banheiro o pé começava
a ficar roxo. A circulação do sangue depende da pisada e da musculatura. Como
se fica muito tempo sem pisar, os músculos da perna atrofiam. A medida que a
pisada vai progredindo, o inchaço vai diminuindo. Assim, além de atuar nas
articulações e fortalecer a musculatura, a fisioterapia ajuda na drenagem e
circulação sanguínea do pé.
Os dois primeiros meses de
fisioterapia, fiz em casa. Só no quarto mês de operado, comecei a ir em clínicas.
Mesmo assim mantendo a fisioterapia em casa. Era um trabalho diário e foi
essencial para recuperar a pisada de forma rápida. Creio que sem a ajuda da
minha fisioterapeuta, Josely Ribeiro, a recuperação teria demorado mais tempo.
Ela colocava, de fato, a mão na massa. Apertando, puxando, alongando. Fomos aos
poucos recuperando o posicionamento do pé, as musculaturas atrofiadas e as
articulações duras.
No quarto mês, comecei a me arriscar
em passeios de bike. No quinto mês, já fazia 15km. No oitavo, pouco antes de
operar o pé esquerdo, estava fazendo treinos de 56km, com uma média semanal de
130km. Mesmo assim, apesar de ter voltado aos treinos de bike e natação, a
simples caminhada ainda era doída. Principalmente pela manhã, ao levantar, até
o pé “esquentar”. Fazer “longas” caminhadas ainda é complicado. Acredito que
levarei algum tempo até conseguir andar e “esquecer” completamente dos pés.
Agora estou na segunda etapa. No
último dia 11 de agosto (2018), operei o pé esquerdo. A operação foi mais
tranquila que a primeira. Talvez por já ter a experiência do outro pé, o
processo está sendo um pouco mais tranquilo. Acabo de entrar na terceira semana
pós-cirúrgica e ainda tenho cerca de um mês antes de começar a colocar carga no
pé operado. Estou animado, mas não posso relaxar. Não está tão fácil assim e preciso
ficar atento nas atividades diárias para evitar acidentes. Até porque o pé
direito ainda dói quando caminho e dependo dele para me movimentar pela casa.
A seguir, os Raio-X tiradas após a primeira cirurgia.
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Pouco antes de ter a liberação de carga. Ainda com a haste de correção do joanete
Repare no joanete do pé esquerdo
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Herbert Macário
21ago2018



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