Na apresentação do blog comecei
falando que ele seria relatos sobre minhas “aventuras” na bike. Mas por ironia,
começo falando que não estou podendo sair de casa e muito menos pedalar.
Tudo começou no começo. Não foi
um acidente, é um problema de nascença. Nasci com os pés planos, comum em
muitas crianças. O famoso pé “chato”, que, normalmente, desaparece com o tempo.
Usei “botinha”, andei na areia... meus pais seguiram todas as recomendações
médicas da época. Mas no meu caso, o pé não corrigiu e, com o tempo, foi
ficando pior. Atualmente, a solução é cirúrgica para crianças com esse tipo de
problema.
O pé plano sempre me causou dor e
gerava algumas limitações. A principal era sempre a impossibilidade crônica de
ficar parado em pé por muito tempo. Semelhante a um tubarão, ficar parado era a
morte. Outro efeito era o cuidado com o tornozelo, que muito facilmente tinha
torções. Com os anos, aprendi a lidar com o problema e ignorar a dor. Acabei
por ficar mais resistente a dor e muitas vezes me machucava sem perceber.
Sempre gostei de praticar
esportes. Mas pedalar foi minha principal paixão desde criança. Felicidade era
estar pedalando pela cidade. Até meu grande amigo imaginário de infância era
minha bike. Na adolescência fui orientado a caminhar para compensar o excesso
de bicicleta, que afetava meu joelho, e acabei descobrindo o montanhismo. Nadar
era outra atividade quase cotidiana. A praia era uma rotina familiar e nadar
uma brincadeira. Apesar de praticar esportes e estar sempre em movimento, meu
metabolismo lento me mantinha acima do peso ideal. Nunca fui magro.
Voltando ao pé... com a idade,
ele se tornou um problema cada vez mais sério. A primeira mudança que percebi, foi
na casa dos 40, quando comecei a precisar de alguns dias para me recuperar de
uma trilha. Hoje tenho 53.
Seis anos atrás comecei a procura
por médicos para ver especificamente os pés. E, quase unanimemente, me disseram
que o caso era cirúrgico. O pé estava desabando progressivamente e em algum
momento eu teria que operar. Na época, encontrei um paliativo: palmilhas,
feitas por um fisioterapeuta com especialização nessa área. Não resolveram, mas
me permitiram manter minhas atividades por mais um tempo.
Em maio do ano passado (2017),
senti numa caminhada cotidiana, meu pé desabar de forma significativa. A cirurgia
não poderia mais ser adiada. Assim retornei ao médico que, dentre todos que me
consultei, me inspirou mais confiança: Dr. Rodrigo Mota.
O pé plano (no meu caso) é
degenerativo, na fase mais grave afeta os ossos da perna. Desse modo, se
atingisse a tíbia e a fíbula, a correção poderia comprometer o movimento dos
meus tornozelos. O procedimento seria, além da artrodese de algumas
articulações do pé, uma artrodese de tornozelo, que retiraria a articulação do tornozelo.
No meu caso, felizmente, as
articulações dos tornozelos ainda não estavam comprometidas, então, a solução é
um procedimento chamado tríplice artrodese, que corrige o posicionamento dos
ossos, “fundindo” os quatro ossos da parte baixa do pé (calcâneo, cuboide,
navicular e talos). Não é um procedimento simples. São utilizados parafusos
para fixar os ossos e um cabo para alongar o tendão de Aquiles. O procedimento
cirúrgico leva cerca de duas horas e a recuperação, alguns meses. Em 12 de
outubro de 2017, operei o pé direito, aquele que estava pior. Fiquei aproximadamente
três meses sem muita autonomia... e esse foi um momento estranho...
O pé direito foi só a primeira
parte. No dia 11 de agosto (2018), operei o outro pé.
Herbert Macário

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