domingo, 9 de setembro de 2018

1. Um momento estranho...

Na apresentação do blog comecei falando que ele seria relatos sobre minhas “aventuras” na bike. Mas por ironia, começo falando que não estou podendo sair de casa e muito menos pedalar.


Tudo começou no começo. Não foi um acidente, é um problema de nascença. Nasci com os pés planos, comum em muitas crianças. O famoso pé “chato”, que, normalmente, desaparece com o tempo. Usei “botinha”, andei na areia... meus pais seguiram todas as recomendações médicas da época. Mas no meu caso, o pé não corrigiu e, com o tempo, foi ficando pior. Atualmente, a solução é cirúrgica para crianças com esse tipo de problema.

O pé plano sempre me causou dor e gerava algumas limitações. A principal era sempre a impossibilidade crônica de ficar parado em pé por muito tempo. Semelhante a um tubarão, ficar parado era a morte. Outro efeito era o cuidado com o tornozelo, que muito facilmente tinha torções. Com os anos, aprendi a lidar com o problema e ignorar a dor. Acabei por ficar mais resistente a dor e muitas vezes me machucava sem perceber.

Sempre gostei de praticar esportes. Mas pedalar foi minha principal paixão desde criança. Felicidade era estar pedalando pela cidade. Até meu grande amigo imaginário de infância era minha bike. Na adolescência fui orientado a caminhar para compensar o excesso de bicicleta, que afetava meu joelho, e acabei descobrindo o montanhismo. Nadar era outra atividade quase cotidiana. A praia era uma rotina familiar e nadar uma brincadeira. Apesar de praticar esportes e estar sempre em movimento, meu metabolismo lento me mantinha acima do peso ideal. Nunca fui magro.

Voltando ao pé... com a idade, ele se tornou um problema cada vez mais sério. A primeira mudança que percebi, foi na casa dos 40, quando comecei a precisar de alguns dias para me recuperar de uma trilha. Hoje tenho 53.

Seis anos atrás comecei a procura por médicos para ver especificamente os pés. E, quase unanimemente, me disseram que o caso era cirúrgico. O pé estava desabando progressivamente e em algum momento eu teria que operar. Na época, encontrei um paliativo: palmilhas, feitas por um fisioterapeuta com especialização nessa área. Não resolveram, mas me permitiram manter minhas atividades por mais um tempo.

Em maio do ano passado (2017), senti numa caminhada cotidiana, meu pé desabar de forma significativa. A cirurgia não poderia mais ser adiada. Assim retornei ao médico que, dentre todos que me consultei, me inspirou mais confiança: Dr. Rodrigo Mota.

O pé plano (no meu caso) é degenerativo, na fase mais grave afeta os ossos da perna. Desse modo, se atingisse a tíbia e a fíbula, a correção poderia comprometer o movimento dos meus tornozelos. O procedimento seria, além da artrodese de algumas articulações do pé, uma artrodese de tornozelo, que retiraria a articulação do tornozelo.

No meu caso, felizmente, as articulações dos tornozelos ainda não estavam comprometidas, então, a solução é um procedimento chamado tríplice artrodese, que corrige o posicionamento dos ossos, “fundindo” os quatro ossos da parte baixa do pé (calcâneo, cuboide, navicular e talos). Não é um procedimento simples. São utilizados parafusos para fixar os ossos e um cabo para alongar o tendão de Aquiles. O procedimento cirúrgico leva cerca de duas horas e a recuperação, alguns meses. Em 12 de outubro de 2017, operei o pé direito, aquele que estava pior. Fiquei aproximadamente três meses sem muita autonomia... e esse foi um momento estranho...

O pé direito foi só a primeira parte. No dia 11 de agosto (2018), operei o outro pé.
Herbert Macário
21ago2018



O dia seguinte a cirurgia do pé esquerdo



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